
Foi ao ar na TV Cultura na última segunda-feira, o programa Roda Viva com a presença da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, Médica graduada pela UERJ, Professora Honoris Causa pela UniFMU (SP), Diretora Técnica das clínicas Medicina do Comportamento do Rio de Janeiro e de São Paulo e autora de, entre outros livros, Mentes Perigosas: o psicopata mora ao lado.
Com uma análise bastante clara e sem se deixar entrar em termos indecifravelmente técnicos, a Dra. Ana Beatriz resumiu a psicopatia como sendo a incapacidade de sentir compaixão. Nos indivíduos com esse distúrbio, principalmente por questões genéticas mas também por questões culturais, a função racional do cérebro é responsável por 100% da experiência da realidade, ou seja, para um psicopata um pôr-do-sol e uma cena de estupro causam a mesma sensação.
Na história da humanidade as maiores barbaridades foram cometidas por indivíduos assim, que não exibem qualquer traço de compaixão e que têm, também como fruto de seu distúrbio, grande habilidade em manipular as pessoas.
A capacidade de sentir compaixão pode ser entendida como a experiência de se colocar no lugar do outro e reconhecer o seu sofrimento. A ausência dessa capacidade é o que de mais destrutivo podemos encontrar em nossa espécie. O contrário também é verdadeiro. As pessoas que possuem uma grande capacidade de sentir compaixão são respeitadas e sempre lembradas como exemplos a serem seguidos.
No caso dos rodeios e outros torneios que envolvem animais não-humanos, a discussão tem se mantido na questão da dor física do animal não-humano com controversos estudos e diferentes posições sobre se o sedém (corda amarrada na virilha do boi ou cavalo com a intenção de faze-los pular) provoca ou não sofrimento físico ao animal não-humano.

O fato é que a discussão deve ir além desse ponto. O que deve ser colocado em questão é se a dignidade do animal é violada e, nesse caso, é a compaixão que vai nos mostrar o real caminho que deve ser trilhado.
Somos realmente capazes de exercitar a nossa compaixão? Somos capazes de perceber que, além da dor física, a própria exposição de animais não-humanos a situações extremamente desagradáveis e contrárias ao seu bem-estar, como, por exemplo, ser colocado em um brete extremamente estreito, com um animal humano em suas costas, contraria o nosso conceito de respeito ao próximo? Mesmo esse "próximo" sendo um animal não-humano, temos a capacidade de respeitá-lo? Temos a capacidade de olhar para esse animal não-humano numa situação tão contrária ao seu instinto de sobrevivência e desejar, do fundo do nosso coração, que ele não estivesse ali?

Assim como a psicopatia é o mais bárbaro distúrbio do ser-humano, a compaixão é a sua maior qualidade. A nossa capacidade de reconhecer nos outros animais, humanos ou não, o direito ao bem-estar e de não ser exposto a situações desnecessárias de tensão e sofrimento físico e mental, é o que de mais nobre possuímos.
Nesses tempos em que nosso planeta mostra nitidamente sinais de estar em seu limite e a humanidade procura pela paz interior cada vez mais distante, estender no mais profundo sentido a nossa capacidade de sentir compaixão por um ser-humano e sentir isso também por nossos companheiros de outras espécies é a porta de entrada para um mundo mais fraterno, justo e menos violento.
Guto Sguissardi
Movimento São Carlos Sem rodeio
Belo texto Guto, parabéns!
ResponderExcluirO paralelo entre os Rodeios e o psicopata é perfeito e auto explicativo. Podemos estender a análise também as terríveis touradas, pois o censo de Compaixão dos peões e dos toureiros é exatamente o mesmo: ZERO.
abs
Ralf Naure
Movimento Pró Partido Pelos Animais
Gostei da sua iniciativa. parabéns
ResponderExcluirMassa, Guto! Muito bom o post...
ResponderExcluirSe me permite, quero apenas alertar para uma palavra-chave utilizada que merece "atenção" na sua colocação que é: BEM-ESTAR!
Promover o bem-estar animal ou dar direito ao animal em qquer situação de bem-estar induz a uma condição estarista que contribui para uma visão um tanto utilitarista, ou seja, ainda se mantém a ideia de explorar os animais, porém numa condição humanitária e isso não é nada legal.
Isso é o que prega diretamente os veganos mais estritos, onde o exploração animal deve ser combatida em qquer situação. Um exemplo de bem-estarismo clássico é a produção de carne orgânica, onde há cuidados com o animal onde o sofrimento é reduzido, mas mantém-se a apropriação ao objeto animal.
Parabéns pelo trabalho em prol da causa.
Abraços. Om.
Fantástico esse texto!
ResponderExcluirMuni G.
ResponderExcluirEstou por dentro da discussão e pensei duas vezes antes de usar o termo mas, afora a questão bem-estarismo X abolicionismo, acredito que o termo "bem-estar" está empregado de uma forma sem relação com os conceitos bem-estaristas. O bem-estar de qualquer animal deve ser respeitado e devemos, inclusive, exigir que seja respeitado. Isso não quer necessariamente dizer que, garantido o bem-estar, temos o direito de utilizar a vida de seres de outras espécies para qualquer fim utilitarista. Ou seria correto, no caso de haver um animal sob meus cuidados, não comê-lo, não usá-lo como cobaia para fins científicos e também não alimentá-lo e não oferecer-lhe um abrigo? Alimentá-lo e dar-lhe abrigo é cuidar de seu bem-estar, correto?
Agradeço muito as suas observações. Não tenho a menor intenção de escolher uma camisa para vestir. Acredito, inclusive que o bem-estarismo é um caminho que leva ao abolicionismo. Por experiência própria sei que muitas pessoas têm muitas boas intenções para com a causa animal mas precisam refinar seus conceitos e isso não se faz aos solavancos.
Grande abraço.
vamos divulgar!
ResponderExcluirabraço cordial a todos,
Carol